sexta-feira, 30 de julho de 2010

ADEUS

Diz-me,
que me amas,
diz-me,
uma ultima vez.
Eu sei,
como te chamas,
mostra-me,
a tua nudez.
Conta-me,
histórias banais,
aperta-me,
nos teus seios.
Faz-me,
coisas carnais,
conta-me,
os teus receios.
Esconde-me,
da lua,
faz de mim,
madrugada.
E,como sombra,
da rua,
não fales,
não digas nada.
Deixa-me,
pensar que me amas,
que já não queres,
partir,
que prometes,
que me chamas,
se eu estiver,
a dormir.






sábado, 24 de julho de 2010

REVOLTA

Fiquei sentido.
Tão sentido,
que me calei.

Tão calado,
que me fechei,
num mundo,
sem regras,
nem lei.
Já só sei,
que nada sei.
Tenho a cabeça,
ás avessas.
Já parti,
umas quantas peças.
Já não quero,
jogar ao "meças".
Não vou lá,
mesmo que peças.
Agora não sou capaz.
Já perdi,
todo o meu gás.
Sou um soldado,
da paz.
Já não quero,
mais Alcatraz.
Quero pensar,
direito.
Falar coisas,
do peito.
Rir a torto e a direito.
Estar vivo,
e satisfeito.
Não ser um tiro perdido,
querer ficar,
sem ter partido.
Ser um livro,
já lido.
Não ficar calado,
por estar sentido.


quarta-feira, 21 de julho de 2010

PAIXÃO DO SILÊNCIO

Quando o silêncio se cala,
ficando sem palavras,

calado,
pensa a medo,
que te fala,
sem nunca te ter falado.
E diz coisas,
nunca ditas,
palavras que ficaram por calar,
verdades,
que sabe que acreditas,
caladas,
na hora de falar.
E fala,
que grita,
calado,
tentando,
calar,
o que fala,
sem nunca ter gritado,
que é,
por ti,
que se cala.

terça-feira, 20 de julho de 2010

EU E TU

Partilhas o mesmo espaço,
és filho da mesma sorte.
És mão do mesmo abraço,
mas,és sul e eu sou norte.

Somos céu da mesma terra,
estrelas do mesmo luar.
Vento frio da mesma serra,
mas és sol e eu sou mar.

Cantamos a mesma canção,
tocamos a mesma melodia.
Escrevemos no mesmo coração,
mas tu és noite e eu sou dia.

Escrevemos o mesmo fado,
que a mesma dor escreveu.
Somos faces do mesmo lado,
eu sou Tu,e tu és Eu.













domingo, 11 de julho de 2010

ESCURIDÃO

Mergulhas na escuridão,
perdido nas palavras,
que não dizes,
ferido pelas respostas,
que não ouves.
A luz agora é inimiga,reveladora,
traidora de teus pensamentos,
pura provocação.
Fechas os olhos com medo,
que a escuridão não seja suficiente,
que revele a tua posição.
E choras.
Primeiro baixinho,
depois rasgado,
por fim vencido.
Agora já nada importa,
já não vale a pena,
terminou,
ela partiu.
Partiu e levou com ela as cores,
os aromas,
os beijos.
Agora só restam as sombras,
a dependência,
o caos.
E aquela carta.
Aquela maldita carta,
que lês e tornas a ler,
numa tentativa absurda,
de tentar entender,
o que não se explica.
E dói-te.
Já não a partida,
os motivos,
a traição,
apenas o vazio,
que só a escuridão preenche.