quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Expiação

Por vezes é fácil adormeceres.
Outras vezes não.
Por vezes consegues alienar a dor.
Mas não a consegues esquecer.
Por vezes é preciso perdoar.
Gostavas de conseguir.
Por vezes é imperativo prosseguir.
Mas a vontade tarda-te a chegar.
Era tão mais fácil se partisses.
Mas não consegues traçar um rumo.
Por vezes ficar é solução.
Mas não resolves o problema.
Por vezes é bom chorar.
E conseguires dormir cedo.
De todas as vezes era bom não teres medo.
E acabares para sempre com o segredo.



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cem palavras

Há palavras pequenas, ditas à boca pequena, que falam de pequenas coisas, para que gente com pequenas ambições, consigam pequenas alegrias, na sua vida pequena.
E há palavras grandes.
Tão grandes que numa só palavra conseguiria englobar todas as pequenas.
São palavras grandes para pessoas ainda maiores, com ambições grandes, tão grandes que por vezes são maiores que as próprias pessoas e palavras.
Existem também, as chamadas, palavras caras.
São palavras eruditas e complexas que na maioria das vezes são debitadas sem nexo no intuito, de iludir quem as ouve.
Há palavras azedas, oxidadas nos traumas e fobias humanas e muitas vezes cultivadas pela ignorância de quem as diz.
Mas também há palavras de afecto, de conforto, de incentivo, de amizade.
São palavras boas, que por vezes agasalham o espírito de noites frias e cruas.
As más palavras, não são boas ,nem para quem as diz, muito menos para quem as ouve.
Há mil e uma palavras.
E todas elas são preferíveis ao «SEM PALAVRAS».

domingo, 25 de outubro de 2009

Solidão

Gostava que as palavras que escrevo chegassem ás pessoas tal como as vejo.
Eu sei que é impossível, mas continuo a tentar.
Também sei que vou morrer e continuo a viver.
Tenho dias em que a necessidade de ser compreendido, rivaliza com a vontade de me calar, criando em mim uma contradição tal, que torna incompatível o meu discurso, com aquilo que quero dizer.
Como se não bastasse, ao tentar escrever, deparo sempre com a dificuldade, de não haver palavras para exprimir o que sinto.
E sinto-me fechado em mim mesmo, como se fosse a parte interior de um espelho.
Mas continuo a tentar.
Talvez para me convencer que não falo só por falar.
Talvez para contrariar a insanidade.
Talvez só para ser ouvido.
De certeza para escutar.
Nem que seja a mais imoral das críticas.
Aí saberei que ainda chego a ti.

Lágrima

Pus-me a pensar no valor intrínseco das coisas.
Temo que possa subestimar o real valor dos sentimentos, em prol de um pseudo-equilíbrio social, que cada vez mais, estabelece normas e condutas, às quais resisto, quase por instinto, como se fossem anticorpos.
E a cada cedência que faço, abro fissuras, na minha já fragilizada estrutura emocional.
Os primeiros sinais de iminente ruptura, aparecem dissimulados na agressividade consentida das palavras, escondidos no significado ambíguo da revolta.
E o que outrora era desconforto, assume agora honras de intolerância, desbravando caminho para o inicio das hostilidades.
E quase por simbiose, meu corpo rompe a inércia vigente, e extrema expressões, revelando ao exterior tensões acumuladas.
O pensamento transpõe assim o plano metafisico e ganha corpo e profundidade nas acções corporais e emancipa-se, deixando atrás de si uma extensa cicatriz.
Quase imperceptível, uma lágrima forma-se clandestinamente e precipita-se no meu rosto fechado.
E será a única testemunha desse exorcismo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Para ti Mafalda

Se houvesse palavras, para definir o que te amo.
Teriam de ser palavras com uma composição tão complexa que exprimissem cada átomo do meu ser.
Teriam de ser tão suaves que até adormeceriam a calma e calariam o silêncio.
Ou tão meigas que até a ternura e a bondade se aninhariam.
Com uma intensidade tal que até a paixão e a veneração apenas seriam a camada externa do sentimento.
E mesmo alinhadas na perfeição matemática, apenas seriam uma teoria rabiscada,na tentativa de conseguir definir, um mícron, do universo que é o meu amor por ti.
Por isso, se alguma vez sentires falta de palavras minhas, para definir o quanto te amo, a culpa não é minha, é tua, porque aquilo que me fazes sentir é tão imenso que não cabe nas palavras.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Livre Arbítrio

Questionamos sempre se o caminho que seguimos será o mais correcto.
A angústia de ter de decidir, quando não fazemos a mínima ideia, se estamos correctos.
Não é fácil decidir um caminho tendo de abdicar de todos os outros.
Que garantias temos que o caminho A é melhor que o B ou o C ?
E o que usamos como critérios de escolha?
Com que fundamentos?
Sinceramente, não sei.
E desconfio que ninguém sabe.
Apesar de alguns apregoarem as virtudes do seu caminho, não deixam de pensar se haveria outro caminho, menos penoso de trilhar.
Outros há que martirizam cada passada da sua decisão, tendo como certo que erraram na opção.
Eu, com o meu critério pessoal, (que será tão válido como outro qualquer), tento navegar à vista, na tentativa em vão, de acertar mais que errar, mas consciente que todo o caminho que já percorri, e seja ele considerado como certo ou errado, nada me ajudará a decidir o próximo milímetro.
Mas jamais me farão abdicar da liberdade do livre arbítrio.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Arte de palco.

A vida é um palco aberto ao mundo.
Por vezes somos actores principais.
Outras apenas figurantes.
Num caso ou noutro, a maneira como abordamos o personagem, define a nossa actuação, assim como o género artístico.
Há personagem intensos vestidos em actores apagados.
Há actores hiperactivos em personagens paradas.
Há figurantes com papeis principais.
Há actores principais piores que figurantes.
É sem dúvida um palco ecléctico, onde todos nós, um dia, actuaremos num papel principal.
Se tivermos sorte, numa divina comédia.
Se formos enteados dessa, numa tragédia grega.
Em cenários de Rubens, ou em escarlates Dantescos.
E todos nós, todos sem excepção, ficaremos sujeitos ás críticas de um público universal, que nas suas palmas, vaias e apupos, definirá se somos actores ou figurantes, no palco da vida.
Começa já a tratar da tua coreografia.

sábado, 17 de outubro de 2009

Azul como a Vida.

Há dias que não faz frio.
Nem faz calor.
Nem faz chuva ,nem faz vento.
E se não fosse os relógios, nem se sabia se era o inicio da manhã, ou o fim da tarde.
Há dias que não se escuta.
Nem se fala.
Nem se ri , nem se chora.
E se não fossem as lágrimas, nem se sabia se era dor, ou distância.
Há dias que não fazem sentido, em mim.
Nem fazem sentido, em ti.
Nem fazem sentido, nos outros.
E se não fosse a tua amizade, nem se sabia que eram vida.
Como tu Azul da minha vida.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Utopia

Mais um dia, para o crédito acumulado, por este andar, qualquer dia toca-me a redenção.
A verdade liberta, diz o utopista.
Mas liberta o quê?. E quem?
Liberta o que mente, ou liberta a verdade?
A verdade é egocêntrica, e sem dúvida alguma, intransmissível.
Fechada em si mesmo sobrevive a tudo.
Fechada nos outros é puro ácido.
Corrói até ao insuportável, dizimando o hospedeiro.
Libertar a verdade é impossível, mas aceitá-la com objecto estranho em nós é perfeitamente viável.
A verdade é um conceito importado pela tentativa secular de moralizar o animal que está latente em nós.
Para alguns uma vã tentativa.
Para todos uma amarra sólida.
A mentira não é mais que, uma réplica clonada de uma verdade assassinada, em prol do desejo selvagem, de se libertar das amarras.
E a reposição da verdade não é liberdade, é sobrevivência.
A verdade não liberta, mas abre o caminho à liberdade verdadeira.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Volta...

Passaste por mim, e eu nem sequer te senti.
Jamais me perdoarei, por não te ter dado a devida atenção, por não ter guardado em mim, o teu aroma, por não ter usado o teu íntimo.
Ainda tentaste fazer-te notada, com as piadas incisivas, com o olhar subtilmente lascivo, com a coreografia das tuas mãos.
Mas eu como sempre alheado, nem dei pela tua representação digna de musa de cinema, nem ouvi o teu excelente sentido de humor, não soube dançar o tango das tuas mãos.
Tu, sentida, partiste, mas não sem antes te despedires com aquele beijo demorado, com aquele abraço apertado, e o amo-te meio sibilado.
Ao qual, eu, com a negligência do costume, respondi com um oco:«Até já.».
Agora sei que foi um até sempre.
Agora sei tantas coisas.
Sei que tu fostes, porque eu deixei ir.
O que me deixa mais triste, já nem é a dor de não te ter, mas a ausência do teu cheiro na minha pele.
Quero-te tanto...Volta.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

S.O.P.A.

Nesta altura, reúne-se sempre, um painel de ditas personalidades eruditas, que com a sua fascinante personalidade, só por si, é meio caminho andado para que o meio de comunicação em causa, tenha a devida certificação de qualidade no comentário politico que faz.
É uma autêntica feira das vaidades, digna de um estudo mais aprofundado, onde se poderia, sem muito esforço, apurar, através de um corte transversal, as várias camadas de narcisismo dos pseudo- intelectuais que habitam nos meios de comunicação.
A leveza com que criticam tudo e todos, os seus conselhos sábios e a sua futurologia, apoiados, numa tão altiva capacidade, de debitar vocabulário, que muitos de nós, já pensavam estar num patamar igual ao do latim, mas que estes senhores de tão alta cultura, insistem em manter ligado ao suporte básico de vida.
E há-os aos magotes, os que foram e agora já não são, os que são e já não querem ser, os que gostariam de ser e nunca o serão, e os que não sabem o que fazem naquele sítio, mas que se acham com o direito de lá estar.
Para mim que sou um crítico de bancada, chamo a isto branqueamento de tráfico de influências, ou na melhor das hipóteses, S.O.P.A., (leia-se Síndrome Oral Politico-Aniquilante).
E se antigamente havia a sopa do Barroso, para matar a fome a quem a tinha,hoje existe a S.O.P.A. dos meios de comunicação, para matar a fome, neste caso política, a quem não tem Gamela.



Perdoa-me

Fiquei rendido quando teus olhos se calaram.
A luz que neles vivia, deu lugar a uma ténue e mortiça sombra, que já não escondia o desalento.
Era duro ver-te assim, consumida por ti mesmo, alheada de tudo e de todos, revoltada com a verdade.
Por vezes o silêncio dói mais que mil palavras, em ti, as palavras faziam o silêncio doer.
Era como se a luz fosse um sinónimo de escuridão, e escuridão a luz da tua alma.
Corroía-me, saber que tudo o que te dizia, era apenas o que querias que dissesse, dando assim tamanho ás palavras que ficavam por dizer.
Não o podia evitar, tuas dores abriam-me chagas no peito, que transversalmente me rasgavam o querer, forçando mais mentiras piedosas.
E as tuas mãos.
Como se tivessem vida própria, apelavam a meus olhos, para que estes executassem a sentença, previamente por ti definida.
Como podias tu pedir tal aventura, sabendo tu que eles são uns cobardes que jamais enfrentariam um olhar teu?
Beijei tua face, com medo que meus lábios me traíssem.
E afastei-me.
Primeiro com passadas largas, depois doendo-me cada milímetro que me afastava.
Até ao ultimo momento pensei que tu me irias contrariar.
Mas tu ficaste imóvel, sustentada pelo teu orgulho doentio, validando todo o meu comportamento.
É mais fácil dizer adeus do que dizer perdoa-me.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Diário de bordo

Os olhos são o espelho da Alma, assim como a Humanidade é a sua moldura.
É um pensamento bonito, dar como dado adquirido, que o que vemos define aquilo que somos.
Se assim fosse, que parte da minha Alma é o Holocausto?
E que parte não o é?
Muitas vezes usamos, frases predefinidas, chavões e tudo o que a sabedoria popular sintetiza em, alguns provérbios sábios.
São muletas de raciocínio, formas simples de orar comportamentos complexos, sem contudo beliscar a complexidade dos mesmos.
Pura arte, reclamam os artistas, nano-conceitos diriam os mais qualificados cientificamente, apriorismos os meta-físicos, apenas senso comum os menos exigentes.
Pois para mim são verdades práticas, feitas pela vivência dura e pura, traduzidas para uma forma que seja consumível, pela Alma.
Há quem diga que sou um romântico, um naif, que construo um mundo paralelo aquele que vivo, para não ter de enfrentar a seriedade do mundo real.
Talvez tenham razão, talvez não, talvez o espelho deles já não reflicta com a mesma exactidão aquilo que vêem, ou talvez reflicta com exactidão, mas sejam os seus olhos que não vejam, ou vêem mas são técnicamente cegos, são tantas as possibilidades de resposta como as perguntas que se possam fazer.
Por vezes basta o consolo de uma frase já feita, noutras o desafio de a corromper, ás vezes basta viver simples, outras porem não é simples viver.
E se no constante desgaste destas dicotomias, alguma coisa se quebrar, será o espelho ou a fraca moldura?
Gosto de pensar que se pode com um pedaço de vidro e alguma tendência para a insanidade, condição nuclear para um sonhador, tentar senão emoldurar, pelo menos marginar as paginas do meu diário de bordo.

Pára, olha e...... escutas.

A afirmação caiu que nem uma bomba, andavam a escutar Belém !!!!!!!!!!!!
Pela primeira vez pensei que O Grande Marafado, havia agarrado o filho do Geppetto, pelas ......narinas.
Andava já eu, e muitos meios de comunicação, a esfregar as mãos no intuito de ver sangue, ou as vísceras de alguém grelhadas em público, quando num fugaz acervo de ética politica, O Grande Marafado, vem denunciar que só denunciava, o que lhe ia na alma, somente após as eleições.
A tristeza instalou-se nos "mídias" , enquanto que abria a caça ás bruxas no casting ao Parlamento.
Eu confesso que o impasse me aguçou a curiosidade e até dei por mim a magicar, qual Maquiavel, que: « O gajo agora espera que o bacano ganhe e tingas, agarra o bacano pelas narinas e mostra a todos os tugas os burriés que o bacano esconde. »
Lá a custo o filho do Geppetto, ganhou os castings , e todos nós (que não somos cor-de-rosa), esperávamos com o coração apertadinho, que a chacina começasse e eis que O Grande Marafado vem a público, com uma história, que mais parecia de um bétinho qualquer, que tinha sido apanhado com duas gramas, daquela coisa que faz rir, no bolso.
Confesso que fiquei chocado, não pela desculpa esfarrapada, não por a solução passar por um anti-vírus, e incrivelmente, não por não haver couratos á lá Geppetto, mas pelo matar de mais um mito (meu ,claro), da politica portuguesa que era O Grande Marafado.
Onde está aquele estadista arrogante, quase a roçar a ditador, que mandou dar umas chouriçadas, e depois fez ouvidos moucos aqueles malandros que queriam a ponte ao desbarato ???????
E que fazer à máxima: « Eu nunca erro e raramente tenho dúvidas!!!! »
Por este andar qualquer dia só nos resta, na memória colectiva como povo, o desbravar heróico desse politico outrora chamado Zé do MRPP, e conhecido agora como Zé da Europa.
PS: e claro os dentes do Bonéquinho a brilhar no escuro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A certeza inabalável

Cheguei ao princípio do fim da minha vida, assim as estatísticas o dizem, e é com consternação e alguma mágoa, que todos os objectivos que havia traçado só vinte por cento deles foram cumpridos , e mesmo assim, nem todos na totalidade.
A vida com o seu sentido prático e a sua cadência inquestionável, tratou de dizimar qualquer sonho mais idealista, o social lapidou as extravagâncias dos mais realistas, e a auto censura limitou o crescer dos que haviam sobrado, deixando o terreno limpo para que a realidade, com toda a sua honestidade, deixasse ver a olho nu, a fragilidade da Alma.
Pensava eu, que a idade me tornasse mais sábio e que essa sabedoria me tornasse mais tolerante à vida, mas na verdade o que realmente me trouxe a tolerância não foi a sabedoria, mas sim a capacidade de sofrer.
Sofrer por aqueles que me são mais queridos, sofrer pela incapacidade que muitas vezes deparamos perante certos problemas, sofrer por saber que muitas vezes é o que podemos simplesmente fazer.
A consciência de que não há fórmulas nem equações que nos preparem para o que a vida nos reserva, também lapida a tolerância sofrida.
No entanto, existe uma certeza inabalável, que serve de ponto de referência e de factor crítico , e é muitas vezes a única verdade universal da vida: A Morte.
Ter a certeza que terei sempre um fim, torna todas as minhas acções perecíveis, o que por si só é redutor por um lado, mas libertador por outro.
Redutor por limitar-me no espaço e tempo, libertador por me dar a consciência de finito.
Que dolorosa seria uma dor infinita, que aborrecida uma alegria infindável, que loucura uma paixão interminável.
A beleza do passar dos anos, torna mais clarívidente, que por mais legado criado pelas nossas acções e comportamentos, a certeza inabalável que é a morte também nos trará a paz de espírito, de corrigir , apagar, extinguir, os nossos erros, dores e vícios.
O limitar a Vida a um principio, meio, e fim, faz com que cada segundo da nossa vida, tenha tanta importância, como o segundo passado e o segundo futuro.
Assim, apesar de estar no principio do fim da minha vida, tudo o que possa fazer para a tornar justificável é tão válido como tudo o que já fiz até agora, tendo a certeza inabalável, que todavia, nada que faça poderá alterar o que já está feito.