quarta-feira, 24 de novembro de 2010

SEM PALAVRAS

Vai partindo,
devagar,
sem saber,
o seu destino,
como lágrima,
a rolar,
num rosto,
de um menino.
Já perdeu,
o sul,
ao norte,
já rasgou,
a ilusão,
virou as costas,
à sorte,
deitou as penas,
ao chão.
Perdeu-se,
no fim,
da estrada,
onde,
a noite,
se faz dia,
disse,
adeus,
à madrugada,
sem saber,
o que fazia.
Vai pisando,
os seus,
medos,
falando,
à solidão,
para que,
não fiquem,
segredos,
da sua,
partida,
em vão.

domingo, 7 de novembro de 2010

NOITE

Passa a noite,
quando passa,
e descobre o teu amor.
A luz
bate ténue,
na vidraça,
embaciada,
pelo teu calor.
Passa a noite,
passam as horas,
passa o sul,
e o norte.
Já não dói,
já não choras,
abandonas-te,
à sorte,
num lugar,
onde já não moras.
Passa o tempo,
devagar,
onde o tempo,
já não passa,
já não há tempo,
para ficar,
já não há luz,
na vidraça.