terça-feira, 27 de abril de 2010

ABRIL

Já não desfilas na rua,
com punhos erguidos e mãos fechadas.
Já não és,paz, pão, habitação,saúde,
nem unidade sindical.
Já não és liberdade sentida,
pela boca tantas vezes fechada.
Já não és cravada em flor,
aroma de verdade proibida,
palavra carregada de mão em mão.
Já não és memória recente,
faca de gume afiado,
cantada em subjectiva canção.
Foste guardada em gaveta,
já sem cunho de censura.
Mas serás sempre ABRIL,
porque tatuaste no pensamento,
a Liberdade,
e adicionaste ao ADN,
o ...NUNCA MAIS...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

PERDIDO EM MIM

Antes de ficar, perdido, em mim,
canta-me, uma doce, melodia,
que, cheire a cravo e a jasmim,
e ao, romper breve, do dia.

Não me deixes, beijar a morte,
mostra-me a palma da tua mão,
troca, o sol, à minha sorte,
escreve, o teu nome, no chão.

Grita que me queres,
que, o sol, já se deitou,
que, de todas as mulheres,
fostes, a única, que, me amou.

Adormece-me, contra o peito,
canta-me, o não, em vez, do sim,
faz, de teu corpo,meu leito,
antes de ficar perdido,em mim.