quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Solidão

As palavras, por vezes, só complicam.
Dizem coisas distintas do que sentes.
Assumem identidade própria, emancipam-se.
Partem para razões que nos transcendem, fundamentam-se e por vezes tornam-se fundamentalistas.
Criam mundos, revoltam-se e combatem-nos na esperança de formar novos mundos.
Apuram verdades, apoiam dogmas, tornam-se dogmáticas.
Desafiam conceitos, criam preconceitos, exaltam paixões, fomentam ódios.
Desacreditam sonhos, vendem ilusões, apuram vícios, fazem crer, tornam-se religiosas.
Contam histórias, relatam caminhos, desbravam memórias, e fazem-nos adormecer.
E calam-nos.
Deixa de haver palavras.
Só silêncio.
O vazio.
E Alma morre sob o peso de toneladas de embriões de palavras.
Nasce então a solidão...

domingo, 15 de novembro de 2009

Tempo

O tempo é a criação mais humana do homem
Tão humana que tem sentimentos.
O tempo é saudade, melancolia, história, de tudo o que já vivi.
O tempo é amor , paixão, tristeza, ódio, é tudo e não é nada, a cada segundo que passa.
O tempo é esperança, destino, fado, de tudo o que hei-de viver.
É verdade que ao conceber o tempo o homem tornou-se seu escravo.
Mas também permitiu que tenhamos uma projecção ínfima do futuro, através da repetição do passado.
Sendo assim o tempo deu-nos uma memória do já vivido, uma planificação para o que vivemos e uma projecção do que iremos viver.
Não é uma formula mágica , mas tal como o homem, completa-se nas suas imperfeições, mas com uma vantagem fundamental:
Ao ser imortal abaliza a nossa mortalidade.

Há tempos que tenho tempo.
Tempo para pensar.
No tempo que já não tenho.
E no tempo que teria.
Se não pensasse tanto tempo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Em nome da Rosa

Mais uma vez o filho do Geppetto sai ilibado de uma acusação.
Desta vez as escutas foram consideradas nulas.
Se calhar, o homem, tem razão, quando diz que fala e ninguém o ouve.
O sucateiro tinha muito "arame", e vai daí e começou-o a distribuir por montes de amigos, "varas" deles.
Pelo menos era "um ver se te avias" democrático, que pelos vistos, transcendia as colorações politicas.
Ora aqui está, um bom exemplo de empreendedorismo, pedido pelo nosso primeiro, em que uma modesta empresa se transforma numa multi-nacional,prestadora de servicinhos por encomenda.
Mas não se assustem os fracos do coração que o narigudo tem mais vidas que um gato em telhado de zinco quente, e não tarda que venha com uma teoria em que os marcianos esse "povo de má fé", mais o zé do bloco, estão a persegui-lo com estas "estórias" de ficção científica, e que ele como homem temente a Deus, dá sempre a outra face, desde que essa não seja "oculta".
O que me assusta, nem é essa corja que gravita na nossa desprezível "sociedadezinha patronal que não pode pagar os "quinhentinhos" ao empregado", mas a estatística que dá novamente a vitória ao PS.
Será o Zé Povinho autista, para não perceber que todos os desígnios nem sempre são "Em nome da Rosa".
E que gamar,roubar,furtar,pifar é o mesmo que subtrair,expropriar.
Que o acto é o mesmo só muda o actor.
Enfim não passa de uma mamata, ou como se diz em português prosaico uma comezaina.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Super-ego

De tão aleatória, a verdade, deixa-me por vezes, a pensar que se chegamos a ela, não será por mera coincidência.
Todos nós num determinado momento ou lugar somos confrontados com a crueza da verdade e com a necessidade de a tornar mais vendável se não aos olhos dos outros, ao menos aos nossos.
Quem já não contou uma inverdade, por piedade, vergonha, medo ,vingança, despeito, necessidade, ou somente porque a verdade era densa demais.
Todos nós.
Mas noventa por cento das vezes nem temos culpa, está nos genes da humanidade, senão atente-se:
Na interminável busca de resposta ás dúvidas existenciais o homem cria as três maiores inverdades do mundo;
A Sociedade.
A Política.
A Religião.
Todas elas com a única finalidade de esconder a verdade que todos nós sabemos, o homem é um animal selvagem que apenas se move pelo instinto de sobrevivência.
Vestimos, comemos e rezamos a um ego tão grande que acreditamos que é verdade a mentira que forjámos.
Os outros dez por cento apenas confirmam que uns são mais selvagens que outros.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Filhos do sal do mar

Depois da tempestade vem a bonança.
Dizem os arautos do povo e muitas vezes com razão.
Mas nem sempre.
Por vezes as tempestades são apenas tempestades.
São tempestade que começam no nosso mar interno, como se fossem apenas ondulação normal.
Por motivos, muitas vezes, alheios a nós próprios, transformam a normalidade num caos.
E de um momento para o outro, o que era dado como adquirido ou normal, torna-se numa luta sobre-humana, num ultimo resquício de felicidade.
De repente, apenas essas sobras insignificantes se afiguram como bússola no completo desnorte interno.
E dói.
Numa dor não física.
Numa dor fantasma.
Quase como se tivessem amputado parte da alma, mas que essa soubesse exactamente qual era.
E torna-se insuportável ao avançar dos minutos, agonizante ao correr das horas e letal ao cair dos dias.
Mas no contra-senso plausível da sobrevivência, atamos os braços ao leme, na vã tentativa de chegarmos a bom porto.
E ao primeiro vislumbre, quer de terra firme ou naufrágio possível, as saudades da adrenalina de estar sem rumo, são já o embrião da tempestade seguinte, a que nos propormos ansiar.
Não fossemos nós marinheiros da vida, filhos do sal do mar, enfim portugueses.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Expiação

Por vezes é fácil adormeceres.
Outras vezes não.
Por vezes consegues alienar a dor.
Mas não a consegues esquecer.
Por vezes é preciso perdoar.
Gostavas de conseguir.
Por vezes é imperativo prosseguir.
Mas a vontade tarda-te a chegar.
Era tão mais fácil se partisses.
Mas não consegues traçar um rumo.
Por vezes ficar é solução.
Mas não resolves o problema.
Por vezes é bom chorar.
E conseguires dormir cedo.
De todas as vezes era bom não teres medo.
E acabares para sempre com o segredo.



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cem palavras

Há palavras pequenas, ditas à boca pequena, que falam de pequenas coisas, para que gente com pequenas ambições, consigam pequenas alegrias, na sua vida pequena.
E há palavras grandes.
Tão grandes que numa só palavra conseguiria englobar todas as pequenas.
São palavras grandes para pessoas ainda maiores, com ambições grandes, tão grandes que por vezes são maiores que as próprias pessoas e palavras.
Existem também, as chamadas, palavras caras.
São palavras eruditas e complexas que na maioria das vezes são debitadas sem nexo no intuito, de iludir quem as ouve.
Há palavras azedas, oxidadas nos traumas e fobias humanas e muitas vezes cultivadas pela ignorância de quem as diz.
Mas também há palavras de afecto, de conforto, de incentivo, de amizade.
São palavras boas, que por vezes agasalham o espírito de noites frias e cruas.
As más palavras, não são boas ,nem para quem as diz, muito menos para quem as ouve.
Há mil e uma palavras.
E todas elas são preferíveis ao «SEM PALAVRAS».

domingo, 25 de outubro de 2009

Solidão

Gostava que as palavras que escrevo chegassem ás pessoas tal como as vejo.
Eu sei que é impossível, mas continuo a tentar.
Também sei que vou morrer e continuo a viver.
Tenho dias em que a necessidade de ser compreendido, rivaliza com a vontade de me calar, criando em mim uma contradição tal, que torna incompatível o meu discurso, com aquilo que quero dizer.
Como se não bastasse, ao tentar escrever, deparo sempre com a dificuldade, de não haver palavras para exprimir o que sinto.
E sinto-me fechado em mim mesmo, como se fosse a parte interior de um espelho.
Mas continuo a tentar.
Talvez para me convencer que não falo só por falar.
Talvez para contrariar a insanidade.
Talvez só para ser ouvido.
De certeza para escutar.
Nem que seja a mais imoral das críticas.
Aí saberei que ainda chego a ti.

Lágrima

Pus-me a pensar no valor intrínseco das coisas.
Temo que possa subestimar o real valor dos sentimentos, em prol de um pseudo-equilíbrio social, que cada vez mais, estabelece normas e condutas, às quais resisto, quase por instinto, como se fossem anticorpos.
E a cada cedência que faço, abro fissuras, na minha já fragilizada estrutura emocional.
Os primeiros sinais de iminente ruptura, aparecem dissimulados na agressividade consentida das palavras, escondidos no significado ambíguo da revolta.
E o que outrora era desconforto, assume agora honras de intolerância, desbravando caminho para o inicio das hostilidades.
E quase por simbiose, meu corpo rompe a inércia vigente, e extrema expressões, revelando ao exterior tensões acumuladas.
O pensamento transpõe assim o plano metafisico e ganha corpo e profundidade nas acções corporais e emancipa-se, deixando atrás de si uma extensa cicatriz.
Quase imperceptível, uma lágrima forma-se clandestinamente e precipita-se no meu rosto fechado.
E será a única testemunha desse exorcismo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Para ti Mafalda

Se houvesse palavras, para definir o que te amo.
Teriam de ser palavras com uma composição tão complexa que exprimissem cada átomo do meu ser.
Teriam de ser tão suaves que até adormeceriam a calma e calariam o silêncio.
Ou tão meigas que até a ternura e a bondade se aninhariam.
Com uma intensidade tal que até a paixão e a veneração apenas seriam a camada externa do sentimento.
E mesmo alinhadas na perfeição matemática, apenas seriam uma teoria rabiscada,na tentativa de conseguir definir, um mícron, do universo que é o meu amor por ti.
Por isso, se alguma vez sentires falta de palavras minhas, para definir o quanto te amo, a culpa não é minha, é tua, porque aquilo que me fazes sentir é tão imenso que não cabe nas palavras.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Livre Arbítrio

Questionamos sempre se o caminho que seguimos será o mais correcto.
A angústia de ter de decidir, quando não fazemos a mínima ideia, se estamos correctos.
Não é fácil decidir um caminho tendo de abdicar de todos os outros.
Que garantias temos que o caminho A é melhor que o B ou o C ?
E o que usamos como critérios de escolha?
Com que fundamentos?
Sinceramente, não sei.
E desconfio que ninguém sabe.
Apesar de alguns apregoarem as virtudes do seu caminho, não deixam de pensar se haveria outro caminho, menos penoso de trilhar.
Outros há que martirizam cada passada da sua decisão, tendo como certo que erraram na opção.
Eu, com o meu critério pessoal, (que será tão válido como outro qualquer), tento navegar à vista, na tentativa em vão, de acertar mais que errar, mas consciente que todo o caminho que já percorri, e seja ele considerado como certo ou errado, nada me ajudará a decidir o próximo milímetro.
Mas jamais me farão abdicar da liberdade do livre arbítrio.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Arte de palco.

A vida é um palco aberto ao mundo.
Por vezes somos actores principais.
Outras apenas figurantes.
Num caso ou noutro, a maneira como abordamos o personagem, define a nossa actuação, assim como o género artístico.
Há personagem intensos vestidos em actores apagados.
Há actores hiperactivos em personagens paradas.
Há figurantes com papeis principais.
Há actores principais piores que figurantes.
É sem dúvida um palco ecléctico, onde todos nós, um dia, actuaremos num papel principal.
Se tivermos sorte, numa divina comédia.
Se formos enteados dessa, numa tragédia grega.
Em cenários de Rubens, ou em escarlates Dantescos.
E todos nós, todos sem excepção, ficaremos sujeitos ás críticas de um público universal, que nas suas palmas, vaias e apupos, definirá se somos actores ou figurantes, no palco da vida.
Começa já a tratar da tua coreografia.

sábado, 17 de outubro de 2009

Azul como a Vida.

Há dias que não faz frio.
Nem faz calor.
Nem faz chuva ,nem faz vento.
E se não fosse os relógios, nem se sabia se era o inicio da manhã, ou o fim da tarde.
Há dias que não se escuta.
Nem se fala.
Nem se ri , nem se chora.
E se não fossem as lágrimas, nem se sabia se era dor, ou distância.
Há dias que não fazem sentido, em mim.
Nem fazem sentido, em ti.
Nem fazem sentido, nos outros.
E se não fosse a tua amizade, nem se sabia que eram vida.
Como tu Azul da minha vida.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Utopia

Mais um dia, para o crédito acumulado, por este andar, qualquer dia toca-me a redenção.
A verdade liberta, diz o utopista.
Mas liberta o quê?. E quem?
Liberta o que mente, ou liberta a verdade?
A verdade é egocêntrica, e sem dúvida alguma, intransmissível.
Fechada em si mesmo sobrevive a tudo.
Fechada nos outros é puro ácido.
Corrói até ao insuportável, dizimando o hospedeiro.
Libertar a verdade é impossível, mas aceitá-la com objecto estranho em nós é perfeitamente viável.
A verdade é um conceito importado pela tentativa secular de moralizar o animal que está latente em nós.
Para alguns uma vã tentativa.
Para todos uma amarra sólida.
A mentira não é mais que, uma réplica clonada de uma verdade assassinada, em prol do desejo selvagem, de se libertar das amarras.
E a reposição da verdade não é liberdade, é sobrevivência.
A verdade não liberta, mas abre o caminho à liberdade verdadeira.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Volta...

Passaste por mim, e eu nem sequer te senti.
Jamais me perdoarei, por não te ter dado a devida atenção, por não ter guardado em mim, o teu aroma, por não ter usado o teu íntimo.
Ainda tentaste fazer-te notada, com as piadas incisivas, com o olhar subtilmente lascivo, com a coreografia das tuas mãos.
Mas eu como sempre alheado, nem dei pela tua representação digna de musa de cinema, nem ouvi o teu excelente sentido de humor, não soube dançar o tango das tuas mãos.
Tu, sentida, partiste, mas não sem antes te despedires com aquele beijo demorado, com aquele abraço apertado, e o amo-te meio sibilado.
Ao qual, eu, com a negligência do costume, respondi com um oco:«Até já.».
Agora sei que foi um até sempre.
Agora sei tantas coisas.
Sei que tu fostes, porque eu deixei ir.
O que me deixa mais triste, já nem é a dor de não te ter, mas a ausência do teu cheiro na minha pele.
Quero-te tanto...Volta.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

S.O.P.A.

Nesta altura, reúne-se sempre, um painel de ditas personalidades eruditas, que com a sua fascinante personalidade, só por si, é meio caminho andado para que o meio de comunicação em causa, tenha a devida certificação de qualidade no comentário politico que faz.
É uma autêntica feira das vaidades, digna de um estudo mais aprofundado, onde se poderia, sem muito esforço, apurar, através de um corte transversal, as várias camadas de narcisismo dos pseudo- intelectuais que habitam nos meios de comunicação.
A leveza com que criticam tudo e todos, os seus conselhos sábios e a sua futurologia, apoiados, numa tão altiva capacidade, de debitar vocabulário, que muitos de nós, já pensavam estar num patamar igual ao do latim, mas que estes senhores de tão alta cultura, insistem em manter ligado ao suporte básico de vida.
E há-os aos magotes, os que foram e agora já não são, os que são e já não querem ser, os que gostariam de ser e nunca o serão, e os que não sabem o que fazem naquele sítio, mas que se acham com o direito de lá estar.
Para mim que sou um crítico de bancada, chamo a isto branqueamento de tráfico de influências, ou na melhor das hipóteses, S.O.P.A., (leia-se Síndrome Oral Politico-Aniquilante).
E se antigamente havia a sopa do Barroso, para matar a fome a quem a tinha,hoje existe a S.O.P.A. dos meios de comunicação, para matar a fome, neste caso política, a quem não tem Gamela.



Perdoa-me

Fiquei rendido quando teus olhos se calaram.
A luz que neles vivia, deu lugar a uma ténue e mortiça sombra, que já não escondia o desalento.
Era duro ver-te assim, consumida por ti mesmo, alheada de tudo e de todos, revoltada com a verdade.
Por vezes o silêncio dói mais que mil palavras, em ti, as palavras faziam o silêncio doer.
Era como se a luz fosse um sinónimo de escuridão, e escuridão a luz da tua alma.
Corroía-me, saber que tudo o que te dizia, era apenas o que querias que dissesse, dando assim tamanho ás palavras que ficavam por dizer.
Não o podia evitar, tuas dores abriam-me chagas no peito, que transversalmente me rasgavam o querer, forçando mais mentiras piedosas.
E as tuas mãos.
Como se tivessem vida própria, apelavam a meus olhos, para que estes executassem a sentença, previamente por ti definida.
Como podias tu pedir tal aventura, sabendo tu que eles são uns cobardes que jamais enfrentariam um olhar teu?
Beijei tua face, com medo que meus lábios me traíssem.
E afastei-me.
Primeiro com passadas largas, depois doendo-me cada milímetro que me afastava.
Até ao ultimo momento pensei que tu me irias contrariar.
Mas tu ficaste imóvel, sustentada pelo teu orgulho doentio, validando todo o meu comportamento.
É mais fácil dizer adeus do que dizer perdoa-me.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Diário de bordo

Os olhos são o espelho da Alma, assim como a Humanidade é a sua moldura.
É um pensamento bonito, dar como dado adquirido, que o que vemos define aquilo que somos.
Se assim fosse, que parte da minha Alma é o Holocausto?
E que parte não o é?
Muitas vezes usamos, frases predefinidas, chavões e tudo o que a sabedoria popular sintetiza em, alguns provérbios sábios.
São muletas de raciocínio, formas simples de orar comportamentos complexos, sem contudo beliscar a complexidade dos mesmos.
Pura arte, reclamam os artistas, nano-conceitos diriam os mais qualificados cientificamente, apriorismos os meta-físicos, apenas senso comum os menos exigentes.
Pois para mim são verdades práticas, feitas pela vivência dura e pura, traduzidas para uma forma que seja consumível, pela Alma.
Há quem diga que sou um romântico, um naif, que construo um mundo paralelo aquele que vivo, para não ter de enfrentar a seriedade do mundo real.
Talvez tenham razão, talvez não, talvez o espelho deles já não reflicta com a mesma exactidão aquilo que vêem, ou talvez reflicta com exactidão, mas sejam os seus olhos que não vejam, ou vêem mas são técnicamente cegos, são tantas as possibilidades de resposta como as perguntas que se possam fazer.
Por vezes basta o consolo de uma frase já feita, noutras o desafio de a corromper, ás vezes basta viver simples, outras porem não é simples viver.
E se no constante desgaste destas dicotomias, alguma coisa se quebrar, será o espelho ou a fraca moldura?
Gosto de pensar que se pode com um pedaço de vidro e alguma tendência para a insanidade, condição nuclear para um sonhador, tentar senão emoldurar, pelo menos marginar as paginas do meu diário de bordo.

Pára, olha e...... escutas.

A afirmação caiu que nem uma bomba, andavam a escutar Belém !!!!!!!!!!!!
Pela primeira vez pensei que O Grande Marafado, havia agarrado o filho do Geppetto, pelas ......narinas.
Andava já eu, e muitos meios de comunicação, a esfregar as mãos no intuito de ver sangue, ou as vísceras de alguém grelhadas em público, quando num fugaz acervo de ética politica, O Grande Marafado, vem denunciar que só denunciava, o que lhe ia na alma, somente após as eleições.
A tristeza instalou-se nos "mídias" , enquanto que abria a caça ás bruxas no casting ao Parlamento.
Eu confesso que o impasse me aguçou a curiosidade e até dei por mim a magicar, qual Maquiavel, que: « O gajo agora espera que o bacano ganhe e tingas, agarra o bacano pelas narinas e mostra a todos os tugas os burriés que o bacano esconde. »
Lá a custo o filho do Geppetto, ganhou os castings , e todos nós (que não somos cor-de-rosa), esperávamos com o coração apertadinho, que a chacina começasse e eis que O Grande Marafado vem a público, com uma história, que mais parecia de um bétinho qualquer, que tinha sido apanhado com duas gramas, daquela coisa que faz rir, no bolso.
Confesso que fiquei chocado, não pela desculpa esfarrapada, não por a solução passar por um anti-vírus, e incrivelmente, não por não haver couratos á lá Geppetto, mas pelo matar de mais um mito (meu ,claro), da politica portuguesa que era O Grande Marafado.
Onde está aquele estadista arrogante, quase a roçar a ditador, que mandou dar umas chouriçadas, e depois fez ouvidos moucos aqueles malandros que queriam a ponte ao desbarato ???????
E que fazer à máxima: « Eu nunca erro e raramente tenho dúvidas!!!! »
Por este andar qualquer dia só nos resta, na memória colectiva como povo, o desbravar heróico desse politico outrora chamado Zé do MRPP, e conhecido agora como Zé da Europa.
PS: e claro os dentes do Bonéquinho a brilhar no escuro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A certeza inabalável

Cheguei ao princípio do fim da minha vida, assim as estatísticas o dizem, e é com consternação e alguma mágoa, que todos os objectivos que havia traçado só vinte por cento deles foram cumpridos , e mesmo assim, nem todos na totalidade.
A vida com o seu sentido prático e a sua cadência inquestionável, tratou de dizimar qualquer sonho mais idealista, o social lapidou as extravagâncias dos mais realistas, e a auto censura limitou o crescer dos que haviam sobrado, deixando o terreno limpo para que a realidade, com toda a sua honestidade, deixasse ver a olho nu, a fragilidade da Alma.
Pensava eu, que a idade me tornasse mais sábio e que essa sabedoria me tornasse mais tolerante à vida, mas na verdade o que realmente me trouxe a tolerância não foi a sabedoria, mas sim a capacidade de sofrer.
Sofrer por aqueles que me são mais queridos, sofrer pela incapacidade que muitas vezes deparamos perante certos problemas, sofrer por saber que muitas vezes é o que podemos simplesmente fazer.
A consciência de que não há fórmulas nem equações que nos preparem para o que a vida nos reserva, também lapida a tolerância sofrida.
No entanto, existe uma certeza inabalável, que serve de ponto de referência e de factor crítico , e é muitas vezes a única verdade universal da vida: A Morte.
Ter a certeza que terei sempre um fim, torna todas as minhas acções perecíveis, o que por si só é redutor por um lado, mas libertador por outro.
Redutor por limitar-me no espaço e tempo, libertador por me dar a consciência de finito.
Que dolorosa seria uma dor infinita, que aborrecida uma alegria infindável, que loucura uma paixão interminável.
A beleza do passar dos anos, torna mais clarívidente, que por mais legado criado pelas nossas acções e comportamentos, a certeza inabalável que é a morte também nos trará a paz de espírito, de corrigir , apagar, extinguir, os nossos erros, dores e vícios.
O limitar a Vida a um principio, meio, e fim, faz com que cada segundo da nossa vida, tenha tanta importância, como o segundo passado e o segundo futuro.
Assim, apesar de estar no principio do fim da minha vida, tudo o que possa fazer para a tornar justificável é tão válido como tudo o que já fiz até agora, tendo a certeza inabalável, que todavia, nada que faça poderá alterar o que já está feito.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Dói-me a Alma

Tal como o esperado, lá o filho do Geppetto, ganhou as eleições, mas perdeu a maioria absoluta o que também estava previsto.
A filha do Frankenstein, perdeu as eleições, como se previa, mas lá conseguiu mais meia dúzia de votos, do que o Ladies-nigths.
O Defensor dos oprimidos, comprimidos e de qualquer ovelha tresmalhada, duplicou os seus e suas deputadas, o que também se afigurava credível.
Os papam criancinhas ao pequeno-almoço, com a sua regularidade tipo relógio Suíço, mas sem o cariz capitalista, conseguem sobreviver á falência da casa-mãe, algo a que também já nos habituaram.
Mas o que não estava previsto, nem nos meus sonhos mais rebeldes,(em que Delfos, monstros e a Charlize Teron, me aterrorizam), era que o Bonéquinho, com a sua política de Fast-food, conseguisse enganar meio milhão de pessoas, mesmo depois de ofender as peixeiras e o seu aroma a mar e os ciganos, esses homens que tanto trabalham para a sociedade, e que só o facto de aceitarem o tal subsidio, demonstra a sua boa fé em colaborarem com o estado.
Dói-me a Alma, sim, literalmente, dói-me a Alma, e não é por o filho do Geppetto ter ganho as eleições, o que por si só, criou uma enxaqueca crónica à minha Alma. Dói-me a Alma por o Bonéquinho, ter afirmado que a subida do seu partido se devia à nova vaga de votantes.
Fiquei paralisado, por mim escorreram suores frios, (isso ou a loira fresquinha que tinha acabado de beber, caiu-me mal), como é que a juventude tinha votado, sei lá......naquilo.
Pus-me a pensar: « se calhar estás velho, cabeçudo?! », nãããã, se isto é ficar velho quero ser velho, assumo, desde já, essa quebra estrutural face à conjuntura vigente, jamais em tempo algum, votaria num Bonéquinho, preferia cometer haraquiri.
Ainda desculpava, se os putos votassem pró vermelho, eu mesmo tive os meus sonhos de igualdade e justiça, quando era um fedelho, ou mesmo no Defensor, também ainda não resisto a defender minorias, ainda mais se nelas me revejo, mas horroriza-me que o futuro seja mini réplicas do Bonéquinho, com o seu bronze de pita shoarma, com os seus dentinhos a brilharem no escuro, a abrirem franchises de politica Fast-food.
Continua a doer-me a Alma.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O homem que comia pevides

Sentado debaixo de uma árvore, um homem comia pevides, com uma invulgar destreza. Os pevides iam sendo descascados, uns após outros numa cadência tão ritmada, que chamou à atenção, várias pessoas que passavam, e em pouco tempo, era já considerável, a quantidade de pessoas que se amontoavam na tentativa de ver o Homem que comia pevides.
E começaram as teorias para tentar perceber tal comportamento: « Será uma promessa?», questionavam uns, «é uma Religião!», afirmavam outros, e outros mais, com outras mais teorias , inflamavam a curiosidade alheia, ao ponto do caso se tornar nacional.
Chegavam de todos lados, as televisões, as rádios e os curiosos, e havia já, quem de joelhos, rezasse, pedindo milagres para desgostos profundos. Mas, de repente um silêncio sepulcral, tomou tudo e todos à sua volta, o Homem que comia pevides ergueu-se e caminhou na direcção da multidão, que sustendo a respiração, esperava que este lhes trouxesse nas palavras, esperança, revelação, clemência, e perguntou: « Sabem onde posso comprar um saco de pevides? », «É que este acabou! ».
« Blasfémia », gritaram os mais religiosos, « É um logro!!! », os mais incrédulos, e os protestos subiram de tom, sendo preciso a intervenção das forças policiais, para precaver a integridade física do Homem que comia pevides.
Assim como se juntou, a multidão partiu, deixando a nu, apenas uma árvore, com um montinho de cascas de pevides, que um qualquer saudosista se apressou a guardar como se fosse um troféu, e na ressaca, do dia seguinte, ainda há quem ache que o homem, queria dizer mais do disse, sendo logo contrapostos, por outros, que o amaldiçoam.
Moral da história: de bestial a besta é tão rápido como de besta a bestial ou que o Homem que comia amendoins é que virá salvar o mundo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Se...

Se, na minha mão, cerrada
pela dor da luta.
Pudesse, dar eu, porrada,
a todos os filhos da puta.

Se, na minha boca, dilemas,
tristezas e sonhos vencidos.
Pudesses, ler tu, poemas,
há tantos anos, por mim, esquecidos.

Se, na dor do meu peito,
tatuasse, em vão, esperança.
Pudessem, ter vós, o respeito,
de matar, em mim, a criança.

Se, nos meus olhos, o perdão,
iluminar, minhas retinas , a medo.
Pudesse, ouvir ele, seu coração,
calar de vez, meu segredo.



Críticas

É com alguma leveza que, por vezes, criticamos tudo e todos à nossa volta, sem contudo repararmos que nós somos também vítimas das nossas próprias críticas. Dei por mim a questionar-me se «a» está no lugar «b», não será porque não actuei no ponto «x», e deveria ter actuado em «y», ou deveria ter deixado um rol de pessoas, aceder a «n» de informações, de maneira que estas pudessem desenvolver uma quaisquer teoria, apoiada numa relativa equação, que traduzisse o descontentamento com que vejo os outros. Existisse tal formula matemática, que prazer me daria identificar as pessoas por ab menos dois ao quadrado ou x mais dois sobre a raiz quadrada de quatro. No entanto, apercebi-me que tal como na vida real, a certas pessoas, tais equações, teriam de ter, um contexto na matemática quântica, ou, uma perspectiva metafisica, da mesma , pois há, cada teorema, que por mais que se queira, torna-se impossível decifrar.
Sendo assim cheguei à triste conclusão que até num plano teórico é extremamente difícil delinear um alvo de crítica.
Não tendo suporte teórico para justificar as minhas críticas, procurei na prática acabar com elas. Puro engano, eis que me vi o alvo único da crueldade infindável da minhas críticas, e que ainda, ninguém conhecia mais obscuramente a minha alma que eu mesmo. Fez-se, em mim, luz, o único capaz de exterminar as minhas críticas era eu mesmo, pois detinha a capacidade de de acabar comigo e por fim ás críticas.
Era eu, ou as críticas, e claro que, decidi que eram as críticas. Achas mal ? Critica!!!!!!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O SEGREDO DO POVO

Passa o monte,
sob a ponte,
o segredo do povo.
Quem fugiu,
anda a monte,
neste mundo sempre novo.
Cala a voz rouca,
canta a louca,
o segredo foi dito.
Fecharam-lhe a boca,
a fé foi sempre pouca,
mataram-lhe o mito.

Paixão

Teus lábios de fogo e mel,
tua boca rosada.
O sabor da tua pele,
pelas minhas mãos, beijada.

Teu corpo, nu, despido,
mostrando a beleza tua.
O meu olhar, no teu perdido,
na inspiração da lua.

Teus olhos questionando,
o porquê do destino,
e meus olhos chorando,
como se fossem de um menino.

A unica culpa dos homens é sentirem-se culpados por culpa nenhuma

Mão, impressão digital, que nos identifica sobre os demais. Por vezes, a diferença, não quer dizer nada , noutras quer dizer tudo. Certeza, porem, que por mais que te esforces, ninguém é como tu, e por mais que tentes igualar os feitos, de esse alguém, ficarão sempre aquém, daquilo que realmente tu quererias fazer. Por vezes, ficamos com a sensação de que por mais que queiramos aproximar o «eu» de «mim», mais longe estamos de nós mesmos. A realidade, funde-se com a realidade de cada um de nós, formando como que uma realidade pessoal e intransmissível, que para o bem e para o mal, deforma a maneira de interpretar as coisas, dando a profundidade, ao que se designou chamar Moral. Assim, a Moral é produto de nós mesmos, a quem nós mesmos, impomos regras e leis, numa tentativa vã, de querer que a visão que temos de nós ou dos outros, possa ser amenizada, controlada ou modificada. Puro engano, por mais que queiras, exorcizar a tua parte animal , a tua parte cerebral, cria uma parte social, baseada nos teus instintos animais, fazendo com que cries anticorpos de ti mesmos infectados com o teu próprio ADN.
Sendo assim, com que Moral é que alguém julga os outros num pressuposto que é dono e senhor da tão vil, infame, instável e traiçoeira verdade Moral, ou seja, quem é a Religião, a Sociedade e a Política, para me dizerem que não vou para o céu, (isso quase de certeza), que não posso ter varias opções sexuais ou que não posso ser demagogo? Vive a tua vida, escolhe os teus caminhos, tendo sempre presente que cada acto que fizeres necessariamente, dará origem a uma reacção em cadeia de muitos outros, nos quais casualmente poderás ser tu a decidir.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Os filhos da p**a são machos ou fêmeas?

Tenho de dar a mão á palmatória, há quem saiba passear a sua classe por estas «veredas» que são a vida. A leveza moral de certas pessoas, aliadas ao narcisismo venial das suas palavras, aplicadas ao seu entendimento distorcido da «sua» realidade, transforma-nos em meros peões, no tabuleiro de jogo, que é a política.
Outros há, que por ocuparem cargos ou posições, que lhes permitem exercer sobre terceiros autoridade, desatem a purgar, fantasmas, dores, «desamores» ou até mesmo sexualidades reprimidas. Existem ainda, aqueles, que na tentativa, apenas visível, na sua cabeça, de alcançarem poder, se transformam numa pessoa que não são, com danos irreparáveis, para o seu verdadeiro «eu».
Esta oligarquia criada, desde de tenra idade, na nossa« sociedadizinha», em que se ensina as criancinhas, a serem espertas, a subjugar as outras, a serem líderes natos, a serem o número um, encontra o expoente máximo nas câmaras municipais, presidência de clubes de futebol, nas instituições financeiras, (privadas e públicas), nos pseudos-empresários, nos para-empresários, nos mega-empresários, nos empresários fantasmas e em todos aqueles que possuam um QI, ajustado á posição que pretendam. (Leia-se por QI : Quem Indica).
Perante tal cenário torna-se quase impossível, arranjar argumentos para inverter a tendência cada vez mais vincada do «Boys for the jobs», o que me leva á conclusão que filhos da p**a são fêmeas, pois fazem-se, uns aos outros.

A « reentré» do Batafritatinha

Findo o Verão, os mojitos e caipirinhas tendem a assentar, e a aura bronzeada começa a desvanecer-se como o meu «bronze» á la camarão. È aquela altura chata de retomar aquilo a que nos habituámos chamar a rotina diária.
Primeira surpresa, está tudo exactamente na mesma como a lesma, as plantas morreram durante a minha ausência, mas para mal dos meus pecados, tornaram a renascer, qual «fénix vegetariana», os vizinhos são os mesmos, a esposa a mesma, assim como as filhas, enfim a normalidade do costume.
Segunda surpresa, o trabalho está na mesma, o chefe pensa da mesma maneira, da qual , uns discordam e outros concordam, instalando aquele delicioso caos a que alguns entendidos chamam «ambiente de trabalho».
Terceira e última surpresa, o País continua a ser governado, pelo filho do Geppetto, que recentemente disse que a filha do Frankenstein, estava mais á direita do que sempre esteve. Eu suspeito que estas eleições são para duas mãos direitas, o que dava um jeitinho para uns pensamentos subversivos que há tempos que habitam os meus pensamentos.
Tirando estas três surpresas emocionantes, aqui o Batafritatinha declara aberta a caça ao Gambusino, tendo a noção que, por este estar em vias de extinção, não são permitidos truques de algibeira, gargarejos de borato de sódio, ou outras acções que visem desviar os Gambusinos para o fim a que estes se destinam.
Fiquem bem e não se aleijem.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Politicamente incorrecto

Como este blog , única e exclusivamente , serve para , o seu detentor exorcizar , todos os seus fantasmas, Delfos , Minotauros , Pinóquios e outros pesadelos , que de tão politicamente incorrectos, jamais teria a audácia, de não os contar aqui. Esta semana houve uma greve no Porto de Lisboa, em que , os estivadores, essa« mole» de arruaceiros, mal-educados, que cheiram mal dos pés, proferiram , palavras de ordem ofensivas, contra esse homem intocável, que é o nosso Primeiro ministro. Ofendido na sua dignidade, veio a terreiro,dizer que não dá lições de educação aos estivadores, o que para mim, que sou, politicamente incorrecto, e estivador, não é novidade, não é o que tem feito, ao resto dos portugueses, com as guerras com os professores!!?? Sendo esta uma falsa questão, avancemos para a «mole» de arruaceiros , que os jornais dizem ser, contratados ás claques de futebol, nisso agradeço do fundo do meu coração, ás empresas de estiva, que apostaram neles, quando ainda não eram mais do que uma promessa de hoolligans, tenho de me vergar ao departamento de olheiros, dessas visionárias empresas. Quanto ás palavras ofensivas proferidas ao PM, filho da p**a no nosso sector não é assim tão ofensivo, pois não é a primeira vez que, um pai na função de estivador grita para dentro de um porão, ao seu próprio filho: «Ó filho da p**a mexe lá as mãozinhas», sem contudo querer ofender a dignidade da mãe deste nem ornamentar a sua cabeça com algo. São expressões politicamente incorrectas, tais como, sr PM, o par de cornos, que politicamente correcto, lhe apelidaram de «corninhos» que o seu ministro exibiu, num parlamento perto de si. Pessoal, quanto ao cheirar mal dos pés, há que fazer um esforço, no sentido de melhorar , ou numa atitude mais radical , épá é preciso mesmo lavá-los. Em jeito de conclusão, talvez a partir de agora haja a coragem de quando perguntarem a um político de que clube ele é, ele politicamente incorrecto responda que sempre gostou mais de brincar com as bonecas.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

As longas tranças de um careca

Há expressões que definem o átomo da questão. Por exemplo o «vai buscar Tibi», é de uma pura e singela concepção, mas no entanto, aplicada á pessoa certa, no momento certo, assume contornos de obra literária, deixando, a milhas, eloquentes e bem estruturadas observações, baseadas numa crítica adulta e madura, com finalidade de agredir intelectualmente o opositor, sem contudo o melindrar.Tendo ainda , a vantagem , de criar , ao seu oponente, uma "caixa de Pandora" de emoções, que se traduz , algumas vezes, por um visível cromatismo facial ou, não menos frequente, balbuciar incoerente. Já um «querias batatas com enguias», poderá criar , ao seu ofendido, um desconforto académico, mesmo uma incompatibilidade, entre o seu estômago e o seu raciocínio lógico, levando-o a perguntar, repetidamente, qual o valor moral da questão.Estas dualidades verbais assentam que nem uma "luva", nas longas tranças de um careca.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

load aspas aspas enter

Há, certos dias, que a nostalgia nos invade com aquela doçura,meia b52,meia caipirinha nos dias quentes.Dei,por mim,a relembrar coisas como,os calquitos,o pega-monstros,as batatas pála-pála,e as pastilhas pirata (que havia de dois tamanhos),os cromos,fossem eles da bola ,da heidi ou da abelha maia (mentalmente começei ,a trautear,a pervesa cantilena«o pinóquio foi ao .....á abelha maia),e do Marco.Tenho de confessar que me aflígia e enervava, que sempre que o rapaz e o seu fiel macaco Amédio,estavam perto da sua «querida mamã»,esta como que por artes mágicas (a fazer lembrar os bons anos do Copperfield),desaparecia sem deixar rasto,talvez esteja aì ,o átomo, da essência do prozac,receita preferida da minha geração.Sinto falta daquelas tardes de cinema,que a alto e bom som uma qualquer vizinha,alertava como se fosse um acontecimento mundial.E lá deixávamos nós ,uma qualquer partida de futebol,em que a Argentina de Ardiles perdia com o Brasil de Zico,Èder e companhia limitada.Geralmente eram cowboiadas,mas tambêm havia o ling shung,os montanheses,o sinal do dragão,e meu Deus ,tantos outros.Bons tempos aqueles,em que brincar era sinónimo de rua,de mãos sujas ,de bilas ou guelas,a encher as meias.E o jogo do espeta, o pião,a cabra-cega ,o futebol humano,a ciranda,o mata.Mas havia o supra-sumo da diversão,o ZX SPECTRUM,tecnologia de ponta, á data (e claro,só ao alcance de poucas bolsas),com o seu inseparável gravador de cassetes com as suas teclas brancas á excepção da tecla vermelha record.E quantas vezes ,jà eu pensei que se a vida fosse como o zx sepctrum,que bom que era dar aquele toquezinho maroto no gravador e ter de iniciar novamente tudo com LOAD ASPAS ASPAS ENTER.

domingo, 28 de junho de 2009

a teoria da batafritatinha invertida

Por vezes, damos connosco, a moralizar,a malta que nos rodeia.Achamos que é nosso dever,orientar,encaminhar,e numa última analise,construir,as ideias que têm do mundo.Dedicamos-nos de corpo e alma,ao desbravar de novos mundos ,por mentes ainda virgens de cinismo. Afagamos-lhes as mágoas da perda da inocência,limpamos-lhes as lágrimas da dor da mentira,matamos-lhes a criança que havia neles,e do alto da nossa sapíciência,fazendo uso do aparelho pulmonar,gritamos-lhes:VÃO TRABALHAR MALANDROS.

Bem Hajam...

Este blog tenta acima de tudo manter a sanidade mental de quem o escreve, porem, se te identificas com ele, és um caso sério de medicina, se não precisas da ajuda de ansiolíticos, pelo menos desabafa com o teu animal de estimação, porque a ler coisas destas, acabarás por ter que partilhar o T0 que ele tem no quintal da tua mãe.

Até breve...