terça-feira, 29 de setembro de 2009

Dói-me a Alma

Tal como o esperado, lá o filho do Geppetto, ganhou as eleições, mas perdeu a maioria absoluta o que também estava previsto.
A filha do Frankenstein, perdeu as eleições, como se previa, mas lá conseguiu mais meia dúzia de votos, do que o Ladies-nigths.
O Defensor dos oprimidos, comprimidos e de qualquer ovelha tresmalhada, duplicou os seus e suas deputadas, o que também se afigurava credível.
Os papam criancinhas ao pequeno-almoço, com a sua regularidade tipo relógio Suíço, mas sem o cariz capitalista, conseguem sobreviver á falência da casa-mãe, algo a que também já nos habituaram.
Mas o que não estava previsto, nem nos meus sonhos mais rebeldes,(em que Delfos, monstros e a Charlize Teron, me aterrorizam), era que o Bonéquinho, com a sua política de Fast-food, conseguisse enganar meio milhão de pessoas, mesmo depois de ofender as peixeiras e o seu aroma a mar e os ciganos, esses homens que tanto trabalham para a sociedade, e que só o facto de aceitarem o tal subsidio, demonstra a sua boa fé em colaborarem com o estado.
Dói-me a Alma, sim, literalmente, dói-me a Alma, e não é por o filho do Geppetto ter ganho as eleições, o que por si só, criou uma enxaqueca crónica à minha Alma. Dói-me a Alma por o Bonéquinho, ter afirmado que a subida do seu partido se devia à nova vaga de votantes.
Fiquei paralisado, por mim escorreram suores frios, (isso ou a loira fresquinha que tinha acabado de beber, caiu-me mal), como é que a juventude tinha votado, sei lá......naquilo.
Pus-me a pensar: « se calhar estás velho, cabeçudo?! », nãããã, se isto é ficar velho quero ser velho, assumo, desde já, essa quebra estrutural face à conjuntura vigente, jamais em tempo algum, votaria num Bonéquinho, preferia cometer haraquiri.
Ainda desculpava, se os putos votassem pró vermelho, eu mesmo tive os meus sonhos de igualdade e justiça, quando era um fedelho, ou mesmo no Defensor, também ainda não resisto a defender minorias, ainda mais se nelas me revejo, mas horroriza-me que o futuro seja mini réplicas do Bonéquinho, com o seu bronze de pita shoarma, com os seus dentinhos a brilharem no escuro, a abrirem franchises de politica Fast-food.
Continua a doer-me a Alma.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O homem que comia pevides

Sentado debaixo de uma árvore, um homem comia pevides, com uma invulgar destreza. Os pevides iam sendo descascados, uns após outros numa cadência tão ritmada, que chamou à atenção, várias pessoas que passavam, e em pouco tempo, era já considerável, a quantidade de pessoas que se amontoavam na tentativa de ver o Homem que comia pevides.
E começaram as teorias para tentar perceber tal comportamento: « Será uma promessa?», questionavam uns, «é uma Religião!», afirmavam outros, e outros mais, com outras mais teorias , inflamavam a curiosidade alheia, ao ponto do caso se tornar nacional.
Chegavam de todos lados, as televisões, as rádios e os curiosos, e havia já, quem de joelhos, rezasse, pedindo milagres para desgostos profundos. Mas, de repente um silêncio sepulcral, tomou tudo e todos à sua volta, o Homem que comia pevides ergueu-se e caminhou na direcção da multidão, que sustendo a respiração, esperava que este lhes trouxesse nas palavras, esperança, revelação, clemência, e perguntou: « Sabem onde posso comprar um saco de pevides? », «É que este acabou! ».
« Blasfémia », gritaram os mais religiosos, « É um logro!!! », os mais incrédulos, e os protestos subiram de tom, sendo preciso a intervenção das forças policiais, para precaver a integridade física do Homem que comia pevides.
Assim como se juntou, a multidão partiu, deixando a nu, apenas uma árvore, com um montinho de cascas de pevides, que um qualquer saudosista se apressou a guardar como se fosse um troféu, e na ressaca, do dia seguinte, ainda há quem ache que o homem, queria dizer mais do disse, sendo logo contrapostos, por outros, que o amaldiçoam.
Moral da história: de bestial a besta é tão rápido como de besta a bestial ou que o Homem que comia amendoins é que virá salvar o mundo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Se...

Se, na minha mão, cerrada
pela dor da luta.
Pudesse, dar eu, porrada,
a todos os filhos da puta.

Se, na minha boca, dilemas,
tristezas e sonhos vencidos.
Pudesses, ler tu, poemas,
há tantos anos, por mim, esquecidos.

Se, na dor do meu peito,
tatuasse, em vão, esperança.
Pudessem, ter vós, o respeito,
de matar, em mim, a criança.

Se, nos meus olhos, o perdão,
iluminar, minhas retinas , a medo.
Pudesse, ouvir ele, seu coração,
calar de vez, meu segredo.



Críticas

É com alguma leveza que, por vezes, criticamos tudo e todos à nossa volta, sem contudo repararmos que nós somos também vítimas das nossas próprias críticas. Dei por mim a questionar-me se «a» está no lugar «b», não será porque não actuei no ponto «x», e deveria ter actuado em «y», ou deveria ter deixado um rol de pessoas, aceder a «n» de informações, de maneira que estas pudessem desenvolver uma quaisquer teoria, apoiada numa relativa equação, que traduzisse o descontentamento com que vejo os outros. Existisse tal formula matemática, que prazer me daria identificar as pessoas por ab menos dois ao quadrado ou x mais dois sobre a raiz quadrada de quatro. No entanto, apercebi-me que tal como na vida real, a certas pessoas, tais equações, teriam de ter, um contexto na matemática quântica, ou, uma perspectiva metafisica, da mesma , pois há, cada teorema, que por mais que se queira, torna-se impossível decifrar.
Sendo assim cheguei à triste conclusão que até num plano teórico é extremamente difícil delinear um alvo de crítica.
Não tendo suporte teórico para justificar as minhas críticas, procurei na prática acabar com elas. Puro engano, eis que me vi o alvo único da crueldade infindável da minhas críticas, e que ainda, ninguém conhecia mais obscuramente a minha alma que eu mesmo. Fez-se, em mim, luz, o único capaz de exterminar as minhas críticas era eu mesmo, pois detinha a capacidade de de acabar comigo e por fim ás críticas.
Era eu, ou as críticas, e claro que, decidi que eram as críticas. Achas mal ? Critica!!!!!!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O SEGREDO DO POVO

Passa o monte,
sob a ponte,
o segredo do povo.
Quem fugiu,
anda a monte,
neste mundo sempre novo.
Cala a voz rouca,
canta a louca,
o segredo foi dito.
Fecharam-lhe a boca,
a fé foi sempre pouca,
mataram-lhe o mito.

Paixão

Teus lábios de fogo e mel,
tua boca rosada.
O sabor da tua pele,
pelas minhas mãos, beijada.

Teu corpo, nu, despido,
mostrando a beleza tua.
O meu olhar, no teu perdido,
na inspiração da lua.

Teus olhos questionando,
o porquê do destino,
e meus olhos chorando,
como se fossem de um menino.

A unica culpa dos homens é sentirem-se culpados por culpa nenhuma

Mão, impressão digital, que nos identifica sobre os demais. Por vezes, a diferença, não quer dizer nada , noutras quer dizer tudo. Certeza, porem, que por mais que te esforces, ninguém é como tu, e por mais que tentes igualar os feitos, de esse alguém, ficarão sempre aquém, daquilo que realmente tu quererias fazer. Por vezes, ficamos com a sensação de que por mais que queiramos aproximar o «eu» de «mim», mais longe estamos de nós mesmos. A realidade, funde-se com a realidade de cada um de nós, formando como que uma realidade pessoal e intransmissível, que para o bem e para o mal, deforma a maneira de interpretar as coisas, dando a profundidade, ao que se designou chamar Moral. Assim, a Moral é produto de nós mesmos, a quem nós mesmos, impomos regras e leis, numa tentativa vã, de querer que a visão que temos de nós ou dos outros, possa ser amenizada, controlada ou modificada. Puro engano, por mais que queiras, exorcizar a tua parte animal , a tua parte cerebral, cria uma parte social, baseada nos teus instintos animais, fazendo com que cries anticorpos de ti mesmos infectados com o teu próprio ADN.
Sendo assim, com que Moral é que alguém julga os outros num pressuposto que é dono e senhor da tão vil, infame, instável e traiçoeira verdade Moral, ou seja, quem é a Religião, a Sociedade e a Política, para me dizerem que não vou para o céu, (isso quase de certeza), que não posso ter varias opções sexuais ou que não posso ser demagogo? Vive a tua vida, escolhe os teus caminhos, tendo sempre presente que cada acto que fizeres necessariamente, dará origem a uma reacção em cadeia de muitos outros, nos quais casualmente poderás ser tu a decidir.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Os filhos da p**a são machos ou fêmeas?

Tenho de dar a mão á palmatória, há quem saiba passear a sua classe por estas «veredas» que são a vida. A leveza moral de certas pessoas, aliadas ao narcisismo venial das suas palavras, aplicadas ao seu entendimento distorcido da «sua» realidade, transforma-nos em meros peões, no tabuleiro de jogo, que é a política.
Outros há, que por ocuparem cargos ou posições, que lhes permitem exercer sobre terceiros autoridade, desatem a purgar, fantasmas, dores, «desamores» ou até mesmo sexualidades reprimidas. Existem ainda, aqueles, que na tentativa, apenas visível, na sua cabeça, de alcançarem poder, se transformam numa pessoa que não são, com danos irreparáveis, para o seu verdadeiro «eu».
Esta oligarquia criada, desde de tenra idade, na nossa« sociedadizinha», em que se ensina as criancinhas, a serem espertas, a subjugar as outras, a serem líderes natos, a serem o número um, encontra o expoente máximo nas câmaras municipais, presidência de clubes de futebol, nas instituições financeiras, (privadas e públicas), nos pseudos-empresários, nos para-empresários, nos mega-empresários, nos empresários fantasmas e em todos aqueles que possuam um QI, ajustado á posição que pretendam. (Leia-se por QI : Quem Indica).
Perante tal cenário torna-se quase impossível, arranjar argumentos para inverter a tendência cada vez mais vincada do «Boys for the jobs», o que me leva á conclusão que filhos da p**a são fêmeas, pois fazem-se, uns aos outros.

A « reentré» do Batafritatinha

Findo o Verão, os mojitos e caipirinhas tendem a assentar, e a aura bronzeada começa a desvanecer-se como o meu «bronze» á la camarão. È aquela altura chata de retomar aquilo a que nos habituámos chamar a rotina diária.
Primeira surpresa, está tudo exactamente na mesma como a lesma, as plantas morreram durante a minha ausência, mas para mal dos meus pecados, tornaram a renascer, qual «fénix vegetariana», os vizinhos são os mesmos, a esposa a mesma, assim como as filhas, enfim a normalidade do costume.
Segunda surpresa, o trabalho está na mesma, o chefe pensa da mesma maneira, da qual , uns discordam e outros concordam, instalando aquele delicioso caos a que alguns entendidos chamam «ambiente de trabalho».
Terceira e última surpresa, o País continua a ser governado, pelo filho do Geppetto, que recentemente disse que a filha do Frankenstein, estava mais á direita do que sempre esteve. Eu suspeito que estas eleições são para duas mãos direitas, o que dava um jeitinho para uns pensamentos subversivos que há tempos que habitam os meus pensamentos.
Tirando estas três surpresas emocionantes, aqui o Batafritatinha declara aberta a caça ao Gambusino, tendo a noção que, por este estar em vias de extinção, não são permitidos truques de algibeira, gargarejos de borato de sódio, ou outras acções que visem desviar os Gambusinos para o fim a que estes se destinam.
Fiquem bem e não se aleijem.