perdido nas palavras,
que não dizes,
ferido pelas respostas,
que não ouves.
A luz agora é inimiga,reveladora,
traidora de teus pensamentos,
pura provocação.
Fechas os olhos com medo,
que a escuridão não seja suficiente,
que revele a tua posição.
E choras.
Primeiro baixinho,
depois rasgado,
por fim vencido.
Agora já nada importa,
já não vale a pena,
terminou,
ela partiu.
Partiu e levou com ela as cores,
os aromas,
os beijos.
Agora só restam as sombras,
a dependência,
o caos.
E aquela carta.
Aquela maldita carta,
que lês e tornas a ler,
numa tentativa absurda,
de tentar entender,
o que não se explica.
E dói-te.
Já não a partida,
os motivos,
a traição,
apenas o vazio,
que só a escuridão preenche.
Até porque a escuridão é o pavio da luz,nasceram do mesmo ventre,separados à nascença.Quando se cruzam fingem nao se conhecer,por vezes perpetuam a mentira e o engano,fitando-se por breves instantes,mas logo se afastam conformados com o destino.Renascer.Uma palmada num recem nascido,um choro de raiva,acalmado pela pureza da vida que chega novamente galopante.Apesar das mãos enrugadas e da tez escurecida pelo seu fado,da falta de ligeireza de outros dias, caminha confiante,por vezes para,contempla o que o rodeia,por vezes apanha as flores que antes pisava,sente-se parte da natureza,ja nao rema contra a mare,mas como podia ele saber isso,sem que a vida lhe mostrasse a escuridão.E as mesmas mãos que em riste rasgavam o ar,as mesmas mãos suadas de raiva que bateram com a porta,acomodam a flor que apanhara,num pequeno copo com agua,e um sentimento morno de paz chega como uma bonança. E as mãos que tudo destruiram,são as mesmas mãos que tudo vão construir.As mãos do amor.Paz.
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