Sentado debaixo de uma árvore, um homem comia pevides, com uma invulgar destreza. Os pevides iam sendo descascados, uns após outros numa cadência tão ritmada, que chamou à atenção, várias pessoas que passavam, e em pouco tempo, era já considerável, a quantidade de pessoas que se amontoavam na tentativa de ver o Homem que comia pevides.
E começaram as teorias para tentar perceber tal comportamento: « Será uma promessa?», questionavam uns, «é uma Religião!», afirmavam outros, e outros mais, com outras mais teorias , inflamavam a curiosidade alheia, ao ponto do caso se tornar nacional.
Chegavam de todos lados, as televisões, as rádios e os curiosos, e havia já, quem de joelhos, rezasse, pedindo milagres para desgostos profundos. Mas, de repente um silêncio sepulcral, tomou tudo e todos à sua volta, o Homem que comia pevides ergueu-se e caminhou na direcção da multidão, que sustendo a respiração, esperava que este lhes trouxesse nas palavras, esperança, revelação, clemência, e perguntou: « Sabem onde posso comprar um saco de pevides? », «É que este acabou! ».
« Blasfémia », gritaram os mais religiosos, « É um logro!!! », os mais incrédulos, e os protestos subiram de tom, sendo preciso a intervenção das forças policiais, para precaver a integridade física do Homem que comia pevides.
Assim como se juntou, a multidão partiu, deixando a nu, apenas uma árvore, com um montinho de cascas de pevides, que um qualquer saudosista se apressou a guardar como se fosse um troféu, e na ressaca, do dia seguinte, ainda há quem ache que o homem, queria dizer mais do disse, sendo logo contrapostos, por outros, que o amaldiçoam.
Moral da história: de bestial a besta é tão rápido como de besta a bestial ou que o Homem que comia amendoins é que virá salvar o mundo.
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