quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O homem que comia pevides

Sentado debaixo de uma árvore, um homem comia pevides, com uma invulgar destreza. Os pevides iam sendo descascados, uns após outros numa cadência tão ritmada, que chamou à atenção, várias pessoas que passavam, e em pouco tempo, era já considerável, a quantidade de pessoas que se amontoavam na tentativa de ver o Homem que comia pevides.
E começaram as teorias para tentar perceber tal comportamento: « Será uma promessa?», questionavam uns, «é uma Religião!», afirmavam outros, e outros mais, com outras mais teorias , inflamavam a curiosidade alheia, ao ponto do caso se tornar nacional.
Chegavam de todos lados, as televisões, as rádios e os curiosos, e havia já, quem de joelhos, rezasse, pedindo milagres para desgostos profundos. Mas, de repente um silêncio sepulcral, tomou tudo e todos à sua volta, o Homem que comia pevides ergueu-se e caminhou na direcção da multidão, que sustendo a respiração, esperava que este lhes trouxesse nas palavras, esperança, revelação, clemência, e perguntou: « Sabem onde posso comprar um saco de pevides? », «É que este acabou! ».
« Blasfémia », gritaram os mais religiosos, « É um logro!!! », os mais incrédulos, e os protestos subiram de tom, sendo preciso a intervenção das forças policiais, para precaver a integridade física do Homem que comia pevides.
Assim como se juntou, a multidão partiu, deixando a nu, apenas uma árvore, com um montinho de cascas de pevides, que um qualquer saudosista se apressou a guardar como se fosse um troféu, e na ressaca, do dia seguinte, ainda há quem ache que o homem, queria dizer mais do disse, sendo logo contrapostos, por outros, que o amaldiçoam.
Moral da história: de bestial a besta é tão rápido como de besta a bestial ou que o Homem que comia amendoins é que virá salvar o mundo.

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