domingo, 25 de outubro de 2009

Lágrima

Pus-me a pensar no valor intrínseco das coisas.
Temo que possa subestimar o real valor dos sentimentos, em prol de um pseudo-equilíbrio social, que cada vez mais, estabelece normas e condutas, às quais resisto, quase por instinto, como se fossem anticorpos.
E a cada cedência que faço, abro fissuras, na minha já fragilizada estrutura emocional.
Os primeiros sinais de iminente ruptura, aparecem dissimulados na agressividade consentida das palavras, escondidos no significado ambíguo da revolta.
E o que outrora era desconforto, assume agora honras de intolerância, desbravando caminho para o inicio das hostilidades.
E quase por simbiose, meu corpo rompe a inércia vigente, e extrema expressões, revelando ao exterior tensões acumuladas.
O pensamento transpõe assim o plano metafisico e ganha corpo e profundidade nas acções corporais e emancipa-se, deixando atrás de si uma extensa cicatriz.
Quase imperceptível, uma lágrima forma-se clandestinamente e precipita-se no meu rosto fechado.
E será a única testemunha desse exorcismo.

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