terça-feira, 6 de outubro de 2009

Diário de bordo

Os olhos são o espelho da Alma, assim como a Humanidade é a sua moldura.
É um pensamento bonito, dar como dado adquirido, que o que vemos define aquilo que somos.
Se assim fosse, que parte da minha Alma é o Holocausto?
E que parte não o é?
Muitas vezes usamos, frases predefinidas, chavões e tudo o que a sabedoria popular sintetiza em, alguns provérbios sábios.
São muletas de raciocínio, formas simples de orar comportamentos complexos, sem contudo beliscar a complexidade dos mesmos.
Pura arte, reclamam os artistas, nano-conceitos diriam os mais qualificados cientificamente, apriorismos os meta-físicos, apenas senso comum os menos exigentes.
Pois para mim são verdades práticas, feitas pela vivência dura e pura, traduzidas para uma forma que seja consumível, pela Alma.
Há quem diga que sou um romântico, um naif, que construo um mundo paralelo aquele que vivo, para não ter de enfrentar a seriedade do mundo real.
Talvez tenham razão, talvez não, talvez o espelho deles já não reflicta com a mesma exactidão aquilo que vêem, ou talvez reflicta com exactidão, mas sejam os seus olhos que não vejam, ou vêem mas são técnicamente cegos, são tantas as possibilidades de resposta como as perguntas que se possam fazer.
Por vezes basta o consolo de uma frase já feita, noutras o desafio de a corromper, ás vezes basta viver simples, outras porem não é simples viver.
E se no constante desgaste destas dicotomias, alguma coisa se quebrar, será o espelho ou a fraca moldura?
Gosto de pensar que se pode com um pedaço de vidro e alguma tendência para a insanidade, condição nuclear para um sonhador, tentar senão emoldurar, pelo menos marginar as paginas do meu diário de bordo.

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