A vida com o seu sentido prático e a sua cadência inquestionável, tratou de dizimar qualquer sonho mais idealista, o social lapidou as extravagâncias dos mais realistas, e a auto censura limitou o crescer dos que haviam sobrado, deixando o terreno limpo para que a realidade, com toda a sua honestidade, deixasse ver a olho nu, a fragilidade da Alma.
Pensava eu, que a idade me tornasse mais sábio e que essa sabedoria me tornasse mais tolerante à vida, mas na verdade o que realmente me trouxe a tolerância não foi a sabedoria, mas sim a capacidade de sofrer.
Sofrer por aqueles que me são mais queridos, sofrer pela incapacidade que muitas vezes deparamos perante certos problemas, sofrer por saber que muitas vezes é o que podemos simplesmente fazer.
A consciência de que não há fórmulas nem equações que nos preparem para o que a vida nos reserva, também lapida a tolerância sofrida.
No entanto, existe uma certeza inabalável, que serve de ponto de referência e de factor crítico , e é muitas vezes a única verdade universal da vida: A Morte.
Ter a certeza que terei sempre um fim, torna todas as minhas acções perecíveis, o que por si só é redutor por um lado, mas libertador por outro.
Redutor por limitar-me no espaço e tempo, libertador por me dar a consciência de finito.
Que dolorosa seria uma dor infinita, que aborrecida uma alegria infindável, que loucura uma paixão interminável.
A beleza do passar dos anos, torna mais clarívidente, que por mais legado criado pelas nossas acções e comportamentos, a certeza inabalável que é a morte também nos trará a paz de espírito, de corrigir , apagar, extinguir, os nossos erros, dores e vícios.
O limitar a Vida a um principio, meio, e fim, faz com que cada segundo da nossa vida, tenha tanta importância, como o segundo passado e o segundo futuro.
Assim, apesar de estar no principio do fim da minha vida, tudo o que possa fazer para a tornar justificável é tão válido como tudo o que já fiz até agora, tendo a certeza inabalável, que todavia, nada que faça poderá alterar o que já está feito.
Sigo o teu blog e gostei muito deste teu ultimo texto apesar de te achar um pouco cinzento.
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