quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Perdoa-me

Fiquei rendido quando teus olhos se calaram.
A luz que neles vivia, deu lugar a uma ténue e mortiça sombra, que já não escondia o desalento.
Era duro ver-te assim, consumida por ti mesmo, alheada de tudo e de todos, revoltada com a verdade.
Por vezes o silêncio dói mais que mil palavras, em ti, as palavras faziam o silêncio doer.
Era como se a luz fosse um sinónimo de escuridão, e escuridão a luz da tua alma.
Corroía-me, saber que tudo o que te dizia, era apenas o que querias que dissesse, dando assim tamanho ás palavras que ficavam por dizer.
Não o podia evitar, tuas dores abriam-me chagas no peito, que transversalmente me rasgavam o querer, forçando mais mentiras piedosas.
E as tuas mãos.
Como se tivessem vida própria, apelavam a meus olhos, para que estes executassem a sentença, previamente por ti definida.
Como podias tu pedir tal aventura, sabendo tu que eles são uns cobardes que jamais enfrentariam um olhar teu?
Beijei tua face, com medo que meus lábios me traíssem.
E afastei-me.
Primeiro com passadas largas, depois doendo-me cada milímetro que me afastava.
Até ao ultimo momento pensei que tu me irias contrariar.
Mas tu ficaste imóvel, sustentada pelo teu orgulho doentio, validando todo o meu comportamento.
É mais fácil dizer adeus do que dizer perdoa-me.

2 comentários:

  1. Passei mais uma vez aqui pelo teu sitio e ao ler este teu "Perdoa-me" recordei uma sigla que vais já identificar SPG lol.

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  2. cada vez mais impressionada !!!

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